— O último capítulo

PRIMEIRAMENTE

Você reduziu a nada o pouco que vivemos

EM SEGUNDO LUGAR

Ao invés de ter me preocupado em integrar nossas histórias, eu deveria ter me empenhado mais em integrar nossos corpos, comer você

SÓ PRA REFORÇAR

Quando eu disse que gostaria de te conhecer mais a fundo e você me respondeu que algumas coisas me desagradariam, não imaginei que você havia sido tão cínica. Eu disse ter mistério em você, acabou. Eu disse ser raro, você, não é. Você é do tipo que demonstra uma quantidade desmedida de interesse, tanto quanto pode cumprir com sua insistência sem compromisso

respeite meu sentimento! não torne a me procurar
toda vez que você tenta um contato, me desconcerta
e eu demoro muito pra me recuperar…
ficou clara sua intenção, que não é a de voltar
peço redenção!, bandeira branca pra caminhar

seguir
prosseguir
me encontrar…

sei que você também se envolveu
mas não quero mais me chatear
tempo você teve, pena que escolheu
demorar …pra me procurar, se desculpar?

nada mudaria o que aconteceu
eu te amaria uma vez ou três
mas sua procura é por ego
saber se em mim ainda há ressentimento

pois saiba que há!
na minha poesia improvisada
na minha fala ensaiada
na minha memória que não falha:
sua recomendação g e-mail ponto com

…guardar o que foi bom

você nunca me notou
mas quando precisou de um passa-tempo
me procurou, e a culpa é minha
…errei na dose de carência
me mostrou que fantasia não é nada
quando não se tem a intensão de permanência

passa, tempo!
e não é esperança, não
é a potencia do coração que não mente

passa, tempo!
leva sentimento e demência
leva a pouca convivência …que ficou

você não sai da minha cabeça
e não é esperança, não
é o interesse que você demonstrou
junto com a insistência que expressou
junto com o jeito que acabou …me abandonando

Ainda não nasceu de todo.
O pior é andar pela rua,
deserto, morto e tolo.
O que ainda não nasceu
corre o risco de sobreviver.
Só o homem é capaz
de inventar o mundo
e o fez à sua palavra
e dessemelhança.
Não se escapa
quando se persegue.
Serial killer, mata a cada manhã
o mesmo homem
que se preparou para ser.

— “Serial killer
Ronaldo Costa Fernandes



Quando bem quer, assim o faz, sempre assim, um temporal, a dualidade se dá de acordo com a pretensão. Nunca pra menos; bastante tempo até se notar: é o diabo e também é deus, o homem, a mulher, de carne, matéria. Lá no fundo, no imaginário, a carne queima com magia. Às vezes, queima gostoso. Às vezes é chuva e sol, não tem casamento, nem viúva, nem espanhol. Quando bem quer, faz paraíso — benevolência; quando é inferno — honestidade. Pois é aqui mesmo neste plano o céu! e é aqui o inferno! Pois é deus o homem e o diabo! Hóspedes do mesmo endereço!

A carne consome
Quando a carne consome
Quando se tem tesão
Mas quando se tem carinho
A carne consome

MIRAGEM

Eram enormes os pingos que caíam. Nós sentados naquele banco nos parecíamos, era incrível e bonitinho. Havia uma cobertura por cima nos protegendo até então do que era um perigo, a chuva, ácida, mas e o amor? Conversávamos sobre, e o discurso dela me encantava. Bastava eu dizer uma palavra: depois era contemplar, admirar. Eu sentia, deveria casar com ela, meu deus!, senão me arrependeria. Duravam horas aqueles papos e nunca consentíamos; ela mostrava autonomia, nunca vi mais esperta, firme nas palavras, lábios que mexiam, doçura, sentia-se. Eram enormes os pingos; de saliva. Doces.

SUBSEQUÊNCIA

— Amor não é escolha…

Senti vontade de citar um ensaio filosófico …só me resta me desculpar, nem nisso sou suficiente, é o que pensa?, não conheço nenhum ensaio de cunho filosófico sobre o que chamam de possibilidade e o que chamam de escolha; será que é preciso tanta profundidade, raciocínio, razão, pra se notar o que é escolha e o que é amor? Foi o que disse:

— …e se eu não quero, é honesto te avisar.

3. EXPECTATIVA

acordou finalmente o dia, esperado, o tempo de cada dia, acordado cedo dentro do possível, já havendo aprendido acompanhar o calendário, a perspicácia opss, palavra errada. “voltou da folga ruim. se preocupa não, semana que vem tem de novo”, muito bem lembrado assistia sua excitante expectativa, errada, refletia numa sala fechada:

Seu corpo era pequeno para aquela sala
seu corpo parecia muito
apertado
por dentro
alma a fora

crescia dentro de si
agonizando crescia
experiência

acordou finalmente o dia, expectado, como se depender de nós fosse minimo, fácil. não é.

2. PERSPECTIVA

seus olhos fechados imaginavam o escuro, era isso, porque se não foi perdera a capacidade de imaginar de tanta aflição, momento, uma imensidão:

como dói o escuro
de não poder satisfazer
o que é intrínseco e necessário

com a voz bem firme: “quero ser alguém melhor. dor. não ser alvo de intriga nem causador de discórdia. arrumar minha vida e um amor. acompanhar o jogo no domingo e saber que a emoção é de verdade e tem querer, sensualidade, carinho e atenção. sem dor. um dia”.

1. DESENROLO

estava bom no calendário, enfim, não perdia o número do dia, que a rotina desenrola agilidade, cada vez mais rápido e conciso, um a um toda semana.

– Se deus está nas coisas simples, me deu tanta sensibilidade pra quê?
Estava acompanhado da simplicidade:
– Para você sofrer.

Pensava na prática das coisas. Até então, sua prioridade e hipótese, a prática das coisas era em si sua gênese. Roberto estava fora de forma; fora de forma?, a questão — tentava explicar a quem lhe desse papo que perfeição é aquilo que se tende obter por meio de um objetivo repetido várias vezes. Como acertar duas vezes.

– Quer dizer… que… a gente aprende de acordo com as coisas que nos são possíveis?
– Eu disse isso?
– Não sei, Roberto — arregalou os olhos –, esse negócio tem a ver com o tempo, e ir devagar talvez diminua a sensação de circulo…
– Diminui a sensação do circulo — indagou. Achava engraçado a situação de ser atraído à situações do tipo –, mas faz com que o circulo demore mais pra acabar.

Era esse tipo de papo o problema. Falava sempre em amor em vez de putaria, envergonhado, sempre tão recatado quanto uma mulher, lembrando antropologia, lembrando o especulativo-teorético literato, não lembrando dos seios, da barriguinha, do entre as coxas, os lábios. “Idiota!”, repetia a anos, pensando que passava sempre suas fases a se xingar e falhar e se xingar, sempre só pretensões, realizações frutadas, sentimento de inferioridade, repetindo “Idiota!”, “Idiota!”.

– “É que você me entende… isso é raro”. Eu estava iludindo ela, mano.
– Aí você não aguentou?
– É… — fingiu uma pausa — nessas brincadeiras eu sempre peço arrego…

Estavam num desses restaurantes caros. À presença de Roberto estava Silas. Comiam… E pensavam em como é engraçado isso que o capitalismo faz com as possibilidades, o fato de se criar um restaurante especializado em coxinhas, de todos os tipos, tamanhos enormes, e poder, dentro de um conceito de sofisticação idiota voltado a uma gente idiota que tem dinheiro e não sabe o que fazer — cobrar numa coxinha 30 reais, meu deus. O local estava vazio e entre as mesas redondas de madeira conversavam tranquilos. Na mesa ao lado, alguém pedia para retirar a taxa de serviço da conta. “Olha só quantos cartões ela tem na carteira!”, um senhor disse como se fosse engraçado.

– Sério que é 30 reais essa coxinha?
– Mano, por que você muda de assunto desse jeito?
– Mano. Você me trouxe numa… o quê?, pra falar de uma mina que não conhece.
– São 30 reais a coxinha, São Paulo é assim, o capitalismo é assim, e é sempre isso, nós nunca conhecemos as pessoas, as de perto, as de longe, as que crescem conosco, tem gente que nem os parentes conhece.

Silas era sincero… Só o ouvia porque a comida era grátis. Roberto era esperto, sabia que ninguém se importava. Conheceram-se da escola apesar de não terem estudado juntos. Talvez seja assim com todo mundo, uma proximidade involuntária, anos passam, e quem você menos imagina mostra lealdade.

– “Tudo bem, a única coisa que eu preciso fazer é fingir que entendo”, eu já disse isso uma vez, quero que você se foda.
– As pessoas nos fodem — apontou o dedo na cara de Silas — e depois seguem em frente.
– Não é tudo tão óbvio?

Chamava-se Isaias. Pelo menos foi o nome que deixou escrito no espelho, com um canetão preto daqueles — comprovado depois — permanentes. Recebi o convite pela tarde do dia anterior, o James — eu sei, é engraçado! James! — disse que era cena rápida, que iríamos entrar, ele ia trocar algumas ideias com o sujeito e sairíamos; não dei a mínima para o assunto que tratariam, não me interesso por coisas que não são do meu interesse. Acompanhei-o até lá por educação e amizade, já que marcamos para o mesmo horário tratar um outro assunto sério num bar chamado Vasconcelos.

— Então, mano, é rápidão, pára de viadage… Olha ali o bar… — apontou pro fim da rua…

Demonstro carinho pelas pessoas de maneira exaltada, sem um pingo de remorso.

— Vai se foder, James, seu otário, enrolado do caralho!

O bar ficava perto dali mesmo, coisa boba, virar a esquina da Cardeal Frederico, dobrar à direita e sei lá, uns 10 minutos. Realmente não sei… no momento não me interesso. Subimos uma escada não era uma escada não precisamos lembrar os seis andares subidos, entramos direto pela porta aberta do apartamento pensado estar o tal na cozinha. Não gosto de suspense. Adoro meu temperamento. Prefiro falar de mim do que lembrar a cena da cabeça dele enfiada naquele saco transparente — a cor dele era um roxo claro esverdeado —, com as mãos amarradas para trás, os pés presos na cadeira, e que filho-da-puta, com uma ereção?, como se algo tivesse acontecido ali há pouco tempo. Cê me vem com essa agora, James?, pensei, não pude dizer, acho que eu vomitaria. Havia uma carta equilibrada no ombro dele, pegamos e nos distanciamos para a sala.

— Que merda é essa, James?

James estava… estranho. Pálido. Foi ele quem viu o nome do Isaías no espelho do banheiro depois de vomitar na pia. Sei que me enrolei todo na argumentação. Mas a cena foi complicada mesmo. Que porra eu e o James — que convenhamos, não tem culpa — estávamos fazendo ali naquele apartamento? Na porra da casa de quem, do Isaías? O nome no espelho? Aquele saco na cabeça dele?… Sentamos no sofá de dois lugares na microsala, quase de frente pro corpo. James estava com a carta na mão, não sei se conseguiu lê-la com todo aquele tremelique, passou-a para mim e acho que não nos resta nada nessa história além de lê-la, eu faço o favor:

SUBSEQUÊNCIA

Meu amor,
Dizem que quando se escreve, se registra, e fica eternizado.
Fica aqui o meu
eu me importo com você.

1/4/2014

à Rita Moraes



MOMENTO PRIMEIRO

Jorge ficava a passar as memórias pela cabeça, como num catálogo. Pensara algumas vezes sobre, que mania idiota, normalmente as pessoas não lembram mas acontecem muitas coisas num dia, cada vez mais itens num catálogo? Insistia pela técnica, porque quem sabe retomando um pensamento sempre de seu ponto de origem não conseguisse, com maestria, mais um pouco de lógica? Pensara algumas vezes sobre: “Penso tanto sobre tanto e minha lógica continua ineficiente e me dando o mesmo pessimismo”. Além da temporalidade do que aqui relata, talvez esteja Jorge neste momento folheando suas memórias, passeando entre elas, relembrando casos. Sentia muita coisa, mas normalmente o sentimento que predominava era a tristeza, sempre persistente. Sentia-se triste, então. Quando queria, imaginava algo bem legal, uma situação propicia. Coçava o queixo, um intra-sorriso. “Quem tanto pudera que passasse a vida em sonhos só”, lembrou de Quental. Estava cansado de viver coisas que só existiam como tais em sua cabeça.

Acordou, então. Sozinho. “Que maldito dia lindo!”. Sem despertador. De bom humor, também. No quarto que clareava, Diego o observava com aqueles olhos que pareciam dar a volta na cabeça, uma espécie de mosca, moleque feio mesmo; não era parente de Jorge, porém se pareciam fisicamente, aparentemente, assim como dois animais da mesma espécie. O apartamento onde moravam era pequeno, não tinha moveis, não precisavam deles, só tinham tempo de dormir, essas coisas só dão mais trabalho, só ocupam mais espaço, tiram nosso espaço na tentativa de suprimir um vazio inexistente, mais matéria onde habita carne. A conversa do dia anterior era a mesma da semana passada.

— A gente vive no mundo das alegorias, meu caro, tem que impressionar, é mais ou menos assim…
— Quê? — eram 7 da manhã? — Tem vantagem aquele que acaricia o ego alheio a fim de certas pretensões?
— De novo esse assunto? — Jorge lembrou.

Não era hora para uma conversa daquela. Quando é que queremos, aliás, ter uma conversa assim a não ser em nossas próprias cabeças momentos antes de dormir? “Muito complicado viver num mundo onde os valores se invertem na prática”, olhando-se no espelho do banheiro, virou às costas e saiu pela cozinha, passo apertado, já atrasado com as coisas na mão e correndo. Jorge sabia bem do que Diego falava, faltava tempo e falta novidade. “Não tenho meus desarranjos e tenho que ficar aguentando o do zotro”.

MOMENTO SEGUNDO (2/2/2013)

Contemplava, do quinto andar, o céu e as nuvens através da persiana de tom enegrecido que mantinham sempre abaixadas. Os computadores, uma sinfonia de coolers, eram alinhados de maneira que cada um enxergava, de sua mesa, o que outro estava fazendo na dele.

— Por favor, o responsável pelo financeiro… — ouviu a suplica de uma voz simpática.

Ao seu redor, uma corporação deteriorava-se.

— Ai, é só tempo de ir para casa e voltar! — disse alguém no corredor.

MOMENTO TERCEIRO

Éramos colegas de quarto. Não sei o que aconteceu, eu acordei de manhã e ele estava me olhando, uma cara estranha, de espanto, como se tivesse descoberto algo muito importante. Um dia antes me disse que tudo ia mal, que não aguentava mais ter que agradar, elogiar! elogiar, doutor — Jorge não tinha expressão —, eu disse que infelizmente as coisas são assim, que não dá pra mudar, tipo um jogo, uma regra. Éramos colegas de quarto, três anos, ele era tímido, onde está a novidade em elogiar alguém, doutor? A porta bateu e eu fiz questão de acompanhá-lo, foi coisa boba, casal sempre briga, saímos pela cozinha eu e ele. Não sou bom com elogios, faço a critica válida. “Sempre que você se olhar no espelho e se sentir linda, lembre-se que beleza não é tão importante e que o mundo está cheio de gente bonita e fútil”. A cara que Suzane ficou era horrível. Ouvi a conversa calado como sempre. Que culpa tem de não entendê-lo?, eu entendia. Ela passou por nós do lado de fora maldizendo, agora imagina ao souber que o coitado foi assassinado, doutor?

Vomitaram no ônibus esses dias, tinha cheiro de leite e pão estragados. Talvez quem vomitou ficou com vergonha e desceu para esperar outro ônibus. Quem da catraca passava, não sabia se com a mão livre pegava o troco ou segurava a ânsia. Tão ruim acordar de manhã e vestir as calças! Acredito que viveria confortavelmente minha vida inteira de bermudas. O motorista do ônibus, se de bermudas estivesse no dia, talvez estaria mais confortável. Quem vomitou, por sua vez, se estivesse mais confortável, talvez não tivesse passado mal. Os rostos que me cercam evitam se olhar. Sente-se que todas essas pessoas não gostariam de estar aqui.

Meus olhos pesam de manhã. Até onde minha memória alcança, invariavelmente, muito me cobro; e do resultado, desgostoso, mais cobranças surgem. Que bosta de vida! A única coisa que as pessoas têm além do tempo são coisas imaginadas e bens materiais. Uma sensação de desconforto me acompanha. Acordo todo dia atrasado e todos os horários da Raposo parecem ocupados, sempre com gente nos carros vazios, parecendo terem adivinhado minha saída. Às vezes evito olhar o relógio. Sou a demência de não compreender e inconformar-se.

— Por que você é tão dramático?
— Porque tudo é tragédia.
— Por que você é tão dramático?
— Porque você é tão… vadia?

A observação dos fatos é importante. Conhecimento traz o conhecimento de que a libertação é utópica. Aquilo que demorou uma vida inteira para ser elaborado não pode ser aprendido em um semestre. Algumas pessoas se gabam por reproduzirem pensamentos outrora criados, e o fervor em citar o que fulano ou beltrano disse é tão apaixonado, que parece que em suas mentes não existe autonomia de pensamento. Sinal vermelho.

Abri um livro e procurei uma resposta. Centenas de soluções já foram propostas, afinal. Por que nenhuma funciona? Imagino os coitados que não conseguem raciocinar sobre. Os que conseguem, bonachões, disputam na Academia sua subjetividade. Talvez seja uma etapa do processo de racionalização a racionalização de que a racionalidade nada resolve. Qualquer dia sou atropelado por andar tão apressado.

Vejo que fiz algumas escolhas erradas no passado, mas vejo que não tive mais que essas opções. Disse para o cobrador esses dias que uma vez me disseram não haver novidades na minha fala. O coitado não deu a mínima, não há novidade em não haver novidades, as noticias são sempre as mesmas, sempre com um protagonista e uma vitima diferente. “Para de bobeira, moleque”. Fiquei assustado. “É assim que acontece”. Então é destino?, perguntei. “Se existe destino, a sorte dos que o tem é predestinada”.

Um dia você me olhou
E disse que minha risada a assustava.
Minha risada descontrolada
E sádica.
Uma risada fria
E desesperada.
Minha risada
Era um grito da alma.
Um grito por socorro
Que implorava ajuda.
Um grito medroso
Que quer ser acolhido.
Minha risada gritou
E nada aconteceu.
Minha risada te pediu ajuda
Mas não foi ouvida.
E então
Tenho que viver
Sabendo que nossas vidas
Foras afastadas
Por minha risada.


— “O Riso”
Nicholas Piccoli Tscherkas



Questiono-me se nas noites em que não consigo dormir, em que meus olhos não fecham e o escuro vira tela de suas lembranças, se você, da sua cama, também me imagina e de mim lembra. Porque talvez seja sintonia.

DESEJO

Seus lábios rosados,
meu amor
despertam em mim
a fome de te comer
todinha

Os sonhos me consomem na madrugada
e o que mais dói,
é que a vida, de manhã
não é os sonhos
que você me despertou

Neles, nos sonhos
seus sorrisos não me debocham
Deles, dos sonhos
acordo pronto para
te devorar

POSTULADO

Não existe nenhuma significação naturalmente intrínseca nas coisas que acontecem ou que o homem cria ou modifica ou pensa a noite toda.
Tentamos sempre dar
um sentido às coisas,
quando
o único sentido das coisas, realmente
é a falta de sentido

NEGAÇÃO

Lembro
que uma vez chorei
quando me toquei
que o tempo passaria
e sua lembrança
do meu cotidiano sumiria

Se algum dia amei, acho que te amava nesse momento.

NECESSIDADE

Tentei correr
mas onde iria?
Tentei gritar
mas você não ouvia,
não ouviu, não quis me ver
se eu derreter agora, meu amor
você nem vai saber
nem vai tentar adivinhar
como estou
como estive
como vou

Às vezes pensamos e conseguimos chegar a uma conclusão, a um desenrolar de raciocínio. A carência faz as pessoas fazerem coisas idiotas.

BON-VOYAGE!

Eu, se pudesse
estaria no alto,
voando bem longe do fato
de saber que um novo olá no futuro é improvável